Substack, nazismo e censura nas redes sociais

A Substack tornou-se manchete após a publicação do artigo "Substack Has a Nazi Problem" em novembro de 2023 no The Atlantic.

by Mateus Ribeiro

Substack, nazismo e censura nas redes sociais
Logomarca Substack

Share

Após uma leitura de um artigo da Platformer, na qual Casey Newton explicava o motivo da empresa deixar a plataforma Substack para se juntar a Ghost não pude deixar de lado algumas reflexões sobre a proliferação de discursos nazistas nos últimos anos.

Substack e o nazismo

A Substack tornou-se manchete após a publicação do artigo "Substack Has a Nazi Problem" (Substack tem um problema nazista) de Jonathan M. Katz em novembro de 2023 no The Atlantic.

Com a repercussão do artigo, 247 redatores da Substack elaboraram uma carta aberta solicitando esclarecimentos da plataforma. E esta foi a resposta do cofundador da Substack, Hamish McKenzie:

Só quero deixar claro que também não gostamos dos nazistas – gostaríamos que ninguém tivesse essa opinião. Mas algumas pessoas defendem essas e outras opiniões extremas. Dado isto, não pensamos que a censura (inclusive através da desmonetização de publicações) faça o problema desaparecer – na verdade, torna-o pior.
Acreditamos que apoiar os direitos individuais e as liberdades civis, ao mesmo tempo que submete as ideias ao discurso aberto, é a melhor forma de retirar o poder das más ideias.

A publicação da Platformer pode ser lida na integra no link abaixo:

Why Substack is at a crossroads
Some thoughts on platforms and Nazis

Censura nas redes sociais?

Trazendo como ponto de partida esse tema, recordei da participação da Aline Szewkies (Israel com Aline) no podcast Inteligencia LTDA, onde ela explica sobre as regras rígidas de monetização das plataformas que em muitos casos, apagam, bloqueiam, diminuem o alcance desses vídeos e... desmonetizam o mesmo.

No caso de Aline, esta narra sobre a desmonetização do YouTube quando ela trata de temas relacionados ao Holocausto ou antissemitismo.

Mas além do YouTube, plataformas como o Facebook apagavam postagens que falassem sobre tais temas. Essa postura foi alterada em 2020, conforme esta publicação:

Removing Holocaust Denial Content | Meta
We are updating our hate speech policy to prohibit any content that denies or distorts the Holocaust.

O mito do holocausto?

Na publicação do Facebook, é citada uma pesquisa americana que apontava que entre adultos com idades entre os 18 e os 39 anos, quase um quarto disse acreditar que o Holocausto é um mito ou que o número de judeus mortos foi superestimado. Será?

Dentre todos os entrevistados, 12% disseram ainda que nunca ouviram falar da palavra Holocausto. Foram ouvidos 200 jovens em cada um dos 50 estados americanos, por telefone e online. 

Um quarto dos jovens americanos acha que o Holocausto é um mito | Exame
A pesquisa sobre o conhecimento dos americanos acerca do Holocausto é da organização judia Claims Conference, que entrevistou jovens entre 18 e 39 anos

Cabe o destaque:

Mais recentemente, a historiografia também inclui as demais vítimas do nazismo no conceito de Holocausto: 1,5 milhão de opositores políticos (sobretudo comunistas e social-democratas), 3 milhões de prisioneiros de guerra, 20 milhões de russos (centenas desses incluídos na categoria de inimigos políticos e prisioneiros de guerra), 600 mil sérvios, 500 mil sinti e roma ("ciganos"), 200 mil poloneses, 200 mil maçons, 70 mil deficientes físicos e mentais, 15 mil homossexuais, 5 mil testemunhas de Jeová, além dos denominados "a-sociais" e dos negros. Utilizamos aqui o termo "sinti e roma" ("Sinti und Roma"), porque o termo "cigano" ("Zigeuner") tornou-se pejorativo e, por isso, a historiografia utiliza os termos "sinti" e "roma", os dois maiores grupos de ciganos da Europa, sendo o primeiro, "sinti", o de ciganos não-nômados (estabelecidos na Alemanha há seis séculos) e o segundo, "roma", de ciganos nômades, cuja maioria tem crença católica.
Holocausto e Antissemitismo: Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da USP

O crescimento da ultra direita

Aliado a essas mudanças na estrutura social, a Deutsche Welle (DW), veículo de imprensa alemão em um vídeo, narra que a ultra direita está ficando cada vez mais forte na Alemanha, com partidos como a Alternativa para a Alemanha (AfD) se tornando cada vez mais radicais.

Entre as pautas desse partido, estão políticas antirrefugiados, anti-LGBTQ e antigoverno, a legenda nunca esteve tão bem nas pesquisas de intenção de voto.

Concluindo

Sei que pode ser controverso, mas com o aumento das fake news e com a tendência das redes sociais em cercar as pessoas em bolhas de conteúdo, limitando cada vez mais o seu mundo, me deixa atônito que todo o conteúdo que pode (e deve) apresentar fatos ou informações com boa qualidade tenham o alcance limitado.

São vozes que são caladas não por uma censura explícita, mas por um sussurro de "você vai arrumar problemas se falar isso", "melhor deixar esse assunto no passado", "isso nunca mais vai se repetir". Será?

Enquanto isso, vozes que deveriam estar caladas estão cada vez mais potentes e radicais.